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Batista, êta nome doce!

       
       Ser batista, pertencer a uma denominação histórica em um tempo de tantas incertezas nos faz pensar e refletir se estamos no trem certo, se não estamos no avião errado, no ônibus errado ou ainda chegamos ao estacionamento usamos a chave certa, mas entramos no carro errado. O que quero dizer com isso? Há mais de cem anos o evangelho vem sendo pregado na pátria brasileira e alcançado todos os estados da federação, hoje somos mais de 188.498 igrejas, mais de 93.930 pastores, seminários e faculdades teológicas, orfanatos, além de instituições e demais órgãos da convenção batista brasileira. O nome batista se espalhou pelo Brasil afora; que nome doce! O nome por si só se explica.
      Aqui desenvolvo o meu desabafo. Todos os dias surgem novas igrejas, com os nomes mais variados e curiosos; a criatividade está em alta, indo desde Cuspe de Cristo até Voando com os Querubins da Glória. Seria cômico se não fosse trágico, mas o nome preferido é o batista, parece que dá status. Batista! Êta nome doce! No passado, ao viajar pelo Brasil, era possível estabelecer se a igreja era da nossa Convenção ou não; quem vem a Brasília (cidade mais linda do Brasil) fica estupefato com a quantidade de “batistas”. Quase diariamente surge uma dessas igrejas e muitas vezes os membros de nossas igrejas, menos esclarecidos, ao mudar de cidade correm o risco de membrarem em igrejas que têm o nome batista, cara de batista, e até estilo batista, mas na essência... Batista nacional, Batista Independente, Batista Regular, Batista Bíblica (e nós?!) Batista das Nações, tem até Batista do 7º dia, pode?
      Na doutrina, nos princípios e na história nada têm de Batistas, e até algumas das nossas podem ser questionadas se são mesmo Batistas. Vivemos um tempo de ministério personalista (o pastor é “o cara”); e o que dizer da famigerada teologia da prosperidade (que desgraça!) e a quase esquecida língua estranha (deu o que tinha de dar).
       Ser batista vai além da história, tem um conteúdo doutrinário, princípios balizados na palavra de Deus, ética clara e bem definida, ensino coerente, evangelização firmada no Senhor da Glória. Para um batista genuíno, Jesus é o dono da igreja (apesar de alguns tentarem usurpar esse lugar, coitados!) Jesus é o Senhor da igreja, é Ele quem manda e governa. Passei por uma dessas igrejas em que o nome do pastor estava estampado na parede e bem maior que o nome da citada igreja (tinha até fotografia, um banner). Que coisa estranha! Vivemos hoje o retorno dos apóstolos, e pasmem: tem pastor com o título de “pai das nações”. Certa vez me dirigi ao pastor Isaltino Coelho com o seguinte cumprimento: “salve reverendo”, e ele prontamente me respondeu: “reverendo é pastor presbiteriano” (na ocasião eu era seminarista). Para um pastor batista já é muita responsabilidade ser chamado de pastor.
      Ser batista nesse tempo é um tanto quanto desafiador, pois ao participarmos de qualquer evento cívico, social ou religioso, muitas vezes nos sentamos ao lado de alguém com título de pastor batista, sem tradição histórica, bíblica e tampouco teológica. Vivemos um tempo difícil em que a única coisa que fará a diferença é a mensagem centrada na escritura e tão somente na escritura. Talvez alguém me ache orgulhoso e ufanista, contudo houve um tempo em que pensei em sair do meio batista, mas fiquei como aquela ave solta por Noé (Gên. 8. 8,9) que no finalzinho do dilúvio e por não encontrar onde pousar voltou para a arca. Batista verdadeiro não tem prá onde ir.
     Tenho pregado em muitas igrejas e algumas delas não são batistas e identifico muitas pessoas convertidas do meio batista, evangelizadas por batistas e a esse respeito alguém já disse que nós somos “excelentes obstetras e péssimos pediatras” (precisamos cuidar disso) e muitos estão fora (e são muitos) por falta de habilidade de pastores e igrejas que em algum momento foram intolerantes. Assim, muitos que se dizem pentecostais, só queriam uma forma diferente de cultuar. Levantar as mãos, dar glória a Deus, não faz de você propriamente um pentecostal. Cheguei a uma conclusão, depois de vários anos de batista (cerca de 31 anos); nós somos a maior denominação do Brasil, e isso não pode ser mensurado devido aos quase dois milhões de batistas, mas pela qualidade do seu povo e o conteúdo histórico e, sobretudo teológico. Querendo ou não, o nosso nome está na boca do povo. Para concluir, uma brincadeira que eu fazia quando era seminarista: Jesus antes de vir, enviou um batista. João, o Batista.
                                                                                              

Pastor Joel Ribeiro da Silva
(Formado pela faculdade Teológica Batista de Brasília)
Igreja Batista Ebenézer - Taguatinga/DF

 

 

 

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